64% acreditam que Dilma não termina o mandato

Quase dois terços dos brasileiros acreditam que a presidente Dilma Rousseff não vai terminar o mandato, segundo pesquisa realizada pelo Instituto Ideia Inteligência. De 20 mil pessoas ouvidas por telefone em 143 cidades do Brasil, de 10 a 14 de setembro, 64% avaliam que Dilma não vai concluir o governo, enquanto 32% apostam na permanência da presidente até o fim de 2018.

Entre os que apostam que Dilma sairá do posto, 60% dizem que ela vai renunciar ao cargo e outros 35% consideram que ela será afastada por meio de um processo de impeachment. Em entrevista concedida ao Valor no dia 9, Dilma afirmou que não pensa em abrir mão da presidência.

O apoio dos brasileiros ao impeachment é elevado, segundo a pesquisa. Dos ouvidos pelo instituto, 61% apoiam a ideia, enquanto 35% se opõem ao afastamento de Dilma. A pesquisa foi apresentada na sexta-feira no Instituto Brasil, do centro de estudos Wilson Center, em Washington.

Para o diretor-geral do Ideia Inteligência, Mauricio Moura, o afastamento seria um processo muito complicado, bem diferente do que tirou Fernando Collor de Mello do poder, em 1992. Segundo Moura, hoje não existe base legal para o impeachment – não haveria, por exemplo, uma ligação direta entre Dilma e algum ato de corrupção.

Para Moura, embora Dilma tenha dito que não renuncia, pode haver um cenário em que ela abra mão do cargo. Se perceber que ficar no posto pode diminuir o legado do PT e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, há uma janela para ela renunciar. A outra opção é a presidente continuar no poder, com baixa popularidade. Seriam três anos de governo ao estilo da administração do ex-presidente José Sarney.

A pesquisa é mais uma a confirmar a baixíssima popularidade de Dilma. Dos entrevistados, 71% consideram o governo ruim ou péssimo, enquanto apenas 7% o veem como ótimo ou bom. Moura destaca o impacto da crise econômica, observando o efeito do aumento do desemprego.

A pesquisa também fez duas perguntas sobre a Operação Lava-Jato. A primeira é se os entrevistados consideram que as investigações do escândalo de corrupção são um dos motivos pelos quais a economia está indo mal neste ano. 81% disseram discordar dessa avaliação. Além disso, 88% afirmaram que a Lava Jato deve continuar, mesmo se tiver algum efeito negativo sobre a atividade econômica.

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